EXPORTAÇÃO EM RISCO
Comissão Europeia mantém Brasil fora de lista de exportadores de carne; especialista alerta para riscos
Decisão da União Europeia sobre uso de antimicrobianos na produção animal pode impactar R$ 1,7 bilhão em vendas. Especialista aponta protecionismo e desafios na rastreabilidade.
{"blocks":[{"key":"185n2","text":"A Comissão Europeia divulgou uma atualização em suas regulamentações para importação de animais e produtos de origem animal para consumo humano. O Brasil, contudo, permaneceu fora da lista de países considerados aptos a cumprir as novas exigências europeias relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal. Esta decisão, que entra em vigor a partir de 3 de setembro de 2026, gera apreensão na cadeia produtiva e pode afetar significativamente as exportações de carne para um dos maiores mercados consumidores do mundo.","type":"paragraph"},{"key":"22l0m","text":"Fernando Henrique Iglesias, analista de mercado da Safras & Mercado, detalhou em entrevista que o principal obstáculo reside na exigência de documentação completa para comprovar a rastreabilidade de toda a cadeia produtiva. \"A Europa está solicitando ao Brasil um controle de todas as etapas desde o nascimento desse animal até o abate\", explicou. Segundo ele, a falta de conformidade em diversas regiões do país, especialmente na bovinocultura de corte, pode impedir a exportação de carne bovina para o bloco europeu a partir da data estipulada. Setores como avicultura e apicultura, no entanto, tendem a ter um processo mais ágil para adequação, o que possibilita a manutenção das exportações de carne de frango e mel.","type":"paragraph"},{"key":"f523","text":"O impacto econômico direto ainda não é imediato, mas os produtos de origem animal afetados representam aproximadamente US$ 1,7 bilhão em exportações anuais para a UE, indicando uma potencial redução relevante no volume comercializado. \"Vai dificultar muito o acesso\", pontuou Iglesias. Ele destacou ainda o papel da Europa como um \"mercado vitrine\", cujas decisões frequentemente servem de referência para outros mercados globais. A recente suspensão de exportações de quatro frigoríficos brasileiros para a China, devido à presença de fármacos veterinários, é um exemplo de como as decisões europeias podem ter efeito cascata.","type":"paragraph"},{"key":"3q07c","text":"Iglesias avalia que a decisão europeia mescla componentes técnicos e políticos. Embora a regulamentação sobre antimicrobianos não seja nova, o prazo de adequação e a rigorosidade das exigências sinalizam um viés protecionista para a produção local. \"Eles estão usando isso para proteger a produção local, isso é evidente. A Europa não tem condições de competição com o produto que vem aqui da América do Sul, em especial do Brasil\". Ele comparou os custos de produção, notando que a arroba do boi gordo no Brasil custa cerca de US$ 70, enquanto na União Europeia o valor varia entre US$ 110 e US$ 120. O analista também apontou que a carne se tornou um ativo em disputas geopolíticas entre China, União Europeia e Estados Unidos.","type":"paragraph"},{"key":"7f0n1","text":"Quanto ao impacto nos frigoríficos brasileiros, Iglesias avalia que a MBRF, com atuação em avicultura e suinocultura, tem maior probabilidade de manter um fluxo exportador de frango. O frigorífico Minerva pode mitigar riscos com suas operações no Uruguai e na Argentina. Para a JBS no Brasil, o cenário pode ser mais desafiador, especialmente considerando o esgotamento da cota chinesa e as novas restrições europeias. O analista enfatizou a necessidade urgente de o Brasil consolidar a documentação pendente e identificar as regiões aptas a atender às exigências europeias. \"Não é simples, não são medidas simples, não é uma situação simples de se resolver, e nós temos basicamente três meses para desenrolar essa questão\". A resolução, segundo ele, exigirá um esforço conjunto do governo brasileiro e da indústria para encontrar uma saída diplomática e garantir a permanência dos produtos de origem animal brasileiros no mercado europeu.","type":"paragraph"}]}
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