DITADURA MILITAR NEGA

Comissão da Verdade conclui que JK foi assassinado pela ditadura militar

Comissão contesta versão sobre morte de JK
Comissão contesta versão sobre morte de JK

Relatório aprovado pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) aponta perseguição e ocultação de provas que sustentam a tese de homicídio do ex-presidente Juscelino Kubitschek em 1976, contestando versão oficial de acidente.

Um relatório aprovado pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) nesta sexta-feira, 29 de maio de 2026, concluiu que o ex-presidente Juscelino Kubitschek (JK) foi assassinado durante a ditadura militar em 1976. A decisão, fundamentada em um conjunto de provas, contesta a versão oficial de que JK teria morrido em um acidente automobilístico na Via Dutra, entre São Paulo e Rio de Janeiro. A investigação, liderada pela historiadora Maria Cecília Adão, aponta para uma perseguição sistemática e ocultação de evidências que sustentam a hipótese de homicídio premeditado.

“Temos provas que dizem que JK estava sendo perseguido, que houve uma forte perseguição a ele”, afirmou a professora Maria Cecília Adão, relatora do caso, após coletiva realizada na sede da Procuradoria Regional da República da 3ª Região, em São Paulo. Segundo a relatora, há indicações de que o assassinato foi "gestado em diversas oportunidades", com destaque para a atuação do general Figueiredo na sua concepção. A historiadora também citou que, 15 dias antes da morte de JK, um jornal já noticiava que ele teria sido vítima de um acidente de trânsito na mesma rodovia, sugerindo um anúncio prévio de seu destino.

A conclusão da comissão vai além das circunstâncias imediatas da morte e abrange irregularidades significativas na condução da investigação. “A gente tem o próprio assassinato e, principalmente, a gente tem ocultação, destruição deliberada de provas. A gente tem fraude processual dos laudos”, declarou Maria Cecília Adão. Para a relatora, o acúmulo de elementos analisados pela comissão é robusto o suficiente para descartar a versão de um acidente automobilístico, apontando JK como vítima de violência estatal, em um contexto de perseguição a opositores da ditadura.

Comissão contesta versão sobre morte de JK
Comissão contesta versão sobre morte de JK

A aprovação do relatório ocorre em um momento propício para a reavaliação de casos históricos, impulsionado por novas informações sobre o período da ditadura. "Enquanto sociedade brasileira, nós vivemos um momento em que justamente é possível fazermos essa compilação", disse a historiadora. A investigação do Ministério Público Federal, concluída em 2020 e tornada pública em 2022, foi reavaliada com a retomada dos trabalhos da comissão em agosto de 2024, reunindo e analisando provas já existentes e novas descobertas, como o trabalho de resgate documental do Arquivo Nacional.

O relatório, aprovado por seis votos favoráveis e uma abstenção, foi apresentado em São Paulo. Maria Cecília Adão detalhou que um encontro com representantes do ex-presidente Ernesto Geisel em um hotel teria sido o gatilho para que JK optasse pela viagem de carro. A reunião, segundo a relatora, teria servido para atrair o ex-presidente ao local, com indícios de que o motorista de JK foi sedado e o veículo alterado mecanicamente. Um caminhoneiro que testemunhou a cena relatou que o motorista de JK parecia desacordado antes da colisão, reforçando a tese de irregularidades.

A investigação da comissão identificou 37 fraudes na apuração da morte de JK, incluindo a chegada de militares ao local do acidente poucos minutos após a ocorrência, o que teria permitido a adulteração de provas. Testemunhas foram manipuladas e laudos considerados "imprestáveis" devido a falhas graves, conforme apontado pelo MP. Exames toxicológicos para verificar envenenamento também não foram realizados. Fotos apresentadas pela relatora revelaram discrepâncias entre os danos na lanterna traseira do carro no local do acidente e no veículo após ser removido.

Outros pontos levantados incluem a falta de isolamento da pista, retirada indevida dos veículos, desrespeito à cadeia de custódia dos corpos e divergência no horário da morte registrado nos laudos oficiais. O diário de JK, retirado do carro após o acidente, também é citado como um elemento relevante. Com a aprovação do relatório, a CEMDP trabalhará para retificar a certidão de óbito do ex-presidente, um processo previsto para ser concluído até o final de junho de 2026, caso não haja oposição familiar.

Relatório diz que JK foi morto pela ditadura militar, e não vítima de acidente
Relatório diz que JK foi morto pela ditadura militar, e não vítima de acidente

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