DEFESA BUSCA REVOGAÇÃO
Cláudio Castro recorre ao STF para tentar reverter inelegibilidade definida pelo TSE
Decisão do TSE tornou o ex-governador inelegível até 2030 por abuso de poder. Defesa alega que estratégia não visa candidatura, mas foco é anular julgamento da Corte Eleitoral.
O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), manifestou a intenção de apresentar um recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF) com o objetivo de anular a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que o declarou inelegível até o ano de 2030. A ação, que visa reverter o julgamento da Corte Eleitoral, não está diretamente ligada a uma possível candidatura futura, segundo declarações de aliados. Castro tem reiterado a interlocutores que não disputará as eleições deste ano sob nenhuma circunstância.
A condenação de Cláudio Castro à inelegibilidade ocorreu em março deste ano. Embora o ex-governador tenha recorrido da decisão, os ministros do TSE confirmaram, nesta terça-feira, 03/06/2026, a penalidade por abuso de poder político e econômico durante as eleições de 2022. Esta decisão impacta diretamente a trajetória política do ex-governador e a composição do cenário eleitoral.
Originalmente pré-candidato a uma vaga no Senado pelo Rio de Janeiro, Castro desistiu da disputa na semana anterior. A decisão foi influenciada pelo desgaste gerado por duas operações da Polícia Federal que investigaram suspeitas de envolvimento em fraudes ligadas ao Banco Master e à antiga Refinaria de Manguinhos (Refit). A manutenção de seu nome na corrida eleitoral tornou-se insustentável, conforme avaliação de dirigentes do PL, diante do veredito do TSE e do avanço das investigações.
Ao comunicar sua retirada da disputa eleitoral em fevereiro, Cláudio Castro declarou que dedicaria seus esforços à sua defesa nos casos do Banco Master e da Refit. O PL está em processo de definição de um substituto para a chapa ao Senado, um nome que deverá ser validado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A estratégia de Castro, segundo aliados, é concentrar-se nos bastidores políticos fluminenses.
Recentemente, Castro passou a integrar o quadro de funcionários do PL, com um salário de R$ 27.834,95, com a missão de fortalecer o partido no estado, ampliar o diálogo com prefeitos e parlamentares aliados, e apoiar a candidatura de Douglas Ruas (PL), atual presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), ao governo estadual. Nos próximos dias, o ex-governador planeja iniciar uma série de viagens pelo interior do estado para cumprir compromissos políticos.
Sucessão indefinida no Rio de Janeiro
Paralelamente, o PL do Rio de Janeiro aguarda a retomada do julgamento no STF sobre a forma de escolha do governador-tampão que concluirá o mandato de Cláudio Castro. Castro renunciou ao cargo em março, véspera da conclusão de seu julgamento no TSE, buscando evitar a cassação e provocar eleições indiretas. A renúncia deixou o estado sob o comando interino do presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, a poucos meses das eleições.
Em abril, o julgamento no Supremo sobre a sucessão foi interrompido após quatro ministros votarem pela eleição indireta do governador-tampão na Alerj, enquanto um ministro defendeu eleições diretas. A análise foi suspensa por pedido de vista do ministro Flávio Dino, que aguardava documentos do TSE. Até o momento, o processo não foi pautado novamente.
A Alerj solicitou aos ministros Luiz Fux e Cristiano Zanin, relatores das ações, a transferência do comando interino do estado a Douglas Ruas, sem sucesso. Fux considerou que uma decisão anterior do STF impedia a análise dos pedidos da Assembleia, mantendo Ricardo Couto à frente do governo estadual. A decisão de abril bloqueou qualquer tentativa de transferência automática do cargo ao novo presidente da Alerj, Douglas Ruas, eleito em abril e pré-candidato ao governo do Rio.
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