FIM DAS BARIÁTRICAS?

Cirurgião alerta: 'canetas emagrecedoras' causam queda em bariátricas, mas obesidade exige controle contínuo

Foto do cirurgião Tiago Diniz em entrevista.
Cirurgião Tiago Diniz comenta o impacto das "canetas emagrecedoras" na redução de cirurgias bariátricas.

Cirurgião Tiago Diniz avalia impacto de medicamentos no tratamento da obesidade e alerta sobre riscos do uso sem acompanhamento médico.

A popularização das chamadas 'canetas emagrecedoras' provocou uma queda significativa no número de cirurgias bariátricas. A análise é do cirurgião do aparelho digestivo Tiago Diniz, que concedeu entrevista ao programa Meio-Dia na Mix, da Mix FM, nesta quarta-feira, 03/06/2026. 'O número absoluto de cirurgias bariátricas teve uma queda importante por causa das famosas canetas emagrecedoras', declarou o médico.

Apesar da redução na procura pela cirurgia, Tiago Diniz reforça que a obesidade permanece uma doença grave e crônica, demandando acompanhamento contínuo e mudanças de hábitos. 'A gente está falando de uma doença grave, de potencial letal. A obesidade é uma doença crônica. Você não consegue curar ela, você controla', explicou.

O cirurgião detalha que os medicamentos injetáveis mostram melhores resultados em estágios menos avançados da doença. Para pacientes com obesidade severa, outros tratamentos frequentemente se tornam necessários. 'O uso das canetas ajuda em diversos graus de obesidade, mas principalmente em graus menos avançados da doença', pontuou. Ele ressalta que, em casos de obesidade severa, associada a múltiplas comorbidades e com pacientes beirando os 200 quilos, os medicamentos podem não ser suficientes para um tratamento global.

Um alerta crucial levantado por Tiago Diniz é o chamado 'efeito rebote'. Pacientes que utilizam as medicações sem associar uma mudança nos hábitos de vida, como dieta e exercícios físicos, correm o risco de recuperar o peso perdido ao interromper o uso. 'O obeso que faz uso das injeções e não tem uma mudança nos hábitos de vida, dieta, exercício físico, e para de usar a caneta, ele vai voltar a engordar', advertiu.

O tratamento da obesidade, segundo o especialista, deve ser contínuo e multidisciplinar. Ele também enfatiza os perigos do uso indiscriminado das 'canetas emagrecedoras', especialmente quando motivado por razões estéticas e sem prescrição médica. Muitas pessoas, influenciadas por terceiros, acabam utilizando a medicação sem a devida avaliação individualizada, desconsiderando os potenciais efeitos colaterais e riscos de complicações. 'Existem efeitos colaterais. A medicação foi desenvolvida para tratar doenças. Precisa de um acompanhamento. Existem chances de sequelas, riscos de complicações', alertou.

Ainda não há estudos suficientes sobre os efeitos a longo prazo dessas medicações, um ponto que exige cautela. Um dos principais riscos apontados é a perda de massa muscular concomitante à perda de gordura, especialmente em pacientes com mais de 40 ou 50 anos, cuja recuperação muscular pode ser significativamente mais difícil. Apesar de a perda de peso poder melhorar indicadores metabólicos como colesterol e glicemia, o acompanhamento profissional é indispensável.

Tiago Diniz observa uma mudança positiva de hábitos, principalmente entre os mais jovens, com maior adesão a atividades físicas e alimentação saudável. Ele defende a medicina preventiva e a realização de exames periódicos.

No que tange à saúde digestiva, o cirurgião identifica cigarro, álcool, açúcar e alimentos condimentados como fatores prejudiciais. Ansiedade e estresse também foram relacionados a alterações no aparelho digestivo, como gastrite e diarreia, podendo desencadear episódios de compulsão alimentar como uma válvula de escape.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário