ALERTA AMBIENTAL URGENTE
Cientistas alertam: Amazônia em risco de virar savana
Estudo da Nature revela que dois terços da floresta podem se transformar em savana. Condição: aquecimento global entre 1,5°C e 1,9°C e desmatamento de 22% a 28%.
Cientistas de renome internacional alertam sobre um futuro sombrio para a Floresta Amazônica, um cenário onde a vitalidade do bioma se esvai. Um estudo publicado na revista Nature, com a colaboração de pesquisadores do Instituto de Pesquisa de Impacto Climático de Potsdam (PIK) e da Universidade de Utrecht, revela que cerca de dois terços da Amazônia podem se transformar em regiões degradadas ou em ecossistemas de savana. Este alerta, divulgado nesta quinta-feira, 07/05/2026, é acionado caso o aquecimento global atinja entre 1,5°C e 1,9°C e o desmatamento da vegetação se estenda para 22% a 28% do território. Tal transformação significa uma perda imensa para o planeta, impactando diretamente o clima e a vida de milhões de pessoas que dependem de sua biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos essenciais que ela oferece.
O estudo, que une projeções climáticas, modelagem hidrológica e análise do transporte de umidade atmosférica, investiga como o aquecimento global e o desmatamento atuam em conjunto nesse processo de degradação. Ele destaca que o avanço da devastação florestal pode reduzir drasticamente a capacidade da Amazônia de resistir às mudanças climáticas, acelerando um colapso em larga escala.
Arie Staal, da Universidade de Utrecht e coautor do estudo, enfatiza a interconexão do sistema: “Regiões a centenas ou até milhares de quilômetros podem perder resiliência devido a efeitos de seca em cascata.” A floresta, que já enfrenta um desmatamento de aproximadamente 17% a 18% de sua área total, corre um risco muito maior agora. Sem o desmatamento atual, a transição para savana só ocorreria se o aquecimento global chegasse a 3,7°C ou 4°C. O que este novo estudo revela é que a combinação dos fatores torna o limiar muito mais próximo e perigoso.
Pesquisadores sublinham que a destruição da mata não apenas diminui a área verde, mas compromete mecanismos vitais para o próprio funcionamento da Amazônia. O desmatamento resseca a atmosfera e enfraquece a fundamental capacidade da floresta de gerar sua própria chuva, essencial para manter seu ecossistema e influenciar o clima em todo o continente. Com isso, até mesmo aumentos moderados de temperatura podem provocar consequências negativas em vastas áreas do bioma, estendendo seus efeitos para outras partes do Brasil.
Diante deste cenário alarmante, Carlos Nobre, professor da Cátedra Clima e Sustentabilidade da USP e copresidente do Painel Científico para a Amazônia, reitera a urgência de ações concretas: “É essencial implementar soluções baseadas na natureza para salvar a floresta amazônica: desmatamento zero, degradação zero e eliminação de incêndios provocados pelo homem até 2030, além de restauração florestal em larga escala na Amazônia, especialmente na região sul, que apresenta os maiores índices de desmatamento e cuja estação seca está de 4 a 5 semanas mais longa nos últimos 40-45 anos e até 20% mais seca.”
O diagnóstico aponta ainda que a degradação florestal intensifica a diminuição da umidade, elevando o estresse hídrico e tornando outras regiões mais vulneráveis. Apesar de todo o alerta, os cientistas mantêm a esperança e afirmam que ainda é possível evitar os impactos mais severos. Medidas cruciais incluem o fim imediato do desmatamento, a restauração ecológica e uma drástica redução das emissões de gases de efeito estufa – ações que podem diminuir significativamente os riscos de um colapso irreversível da Amazônia e salvaguardar o futuro para as próximas gerações.
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*Sob supervisão de Thiago Félix
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