SEGURANÇA PUBLICA EM FOCO
Cidades do interior de SP registram menores índices de homicídios no Brasil
Itatiba, Jundiaí e Sorocaba aparecem no ranking nacional com taxas significativamente inferiores à média brasileira. Especialistas apontam "acomodação" do narcotráfico e gestão pública como fatores.
O município de Itatiba, localizado no interior de São Paulo, figura entre as dez cidades brasileiras com as menores taxas de homicídios. A cidade alcançou o 6º lugar no ranking nacional de segurança. O levantamento, divulgado nesta quarta-feira, 27/05/2026, comparou dados de 366 municípios com mais de 100 mil habitantes, analisando mortes por agressão e intervenção legal.
Outras cidades da região também demonstraram desempenho notável. Salto (SP) obteve o 13º lugar, com uma taxa de 5,7 homicídios por 100 mil habitantes. Jundiaí (SP) ficou na 31ª posição, registrando 7,2, enquanto Sorocaba (SP) apareceu em 68º, com 10,2. Itu (SP) completou a lista regional em 111º lugar, com 14,9 homicídios por 100 mil habitantes.
A taxa de letalidade dessas cidades paulistas é aproximadamente 40% inferior à média nacional, que, segundo o relatório, se situou em 20 homicídios por 100 mil habitantes. O estudo nacional revelou que o Brasil atingiu o menor número de homicídios em sua série histórica.

Um dos fatores cruciais para essa redução, conforme apontado pela pesquisa, é a chamada "acomodação" na guerra do narcotráfico. Daniel Cerqueira, técnico de planejamento e pesquisa do Ipea e coordenador do Atlas da Violência, explica que a intensa disputa por rotas, envolvendo facções como o PCC e o Comando Vermelho, especialmente entre 2016 e 2017, gerou um alto número de mortes. Contudo, a partir de 2018, observou-se um processo de "acomodação" e uma consequente queda nos homicídios, tornando o conflito insustentável economicamente.
Cerqueira acrescenta que essa redução foi particularmente notada nos estados por onde a rota do narcotráfico passava e desaguava nas capitais nordestinas. Ele acredita que a combinação de fatores demográficos, melhorias na gestão da segurança pública em alguns territórios e a trégua no conflito entre facções contribuíram para a diminuição das mortes no país.
É importante notar que os números apresentados consideram homicídios registrados oficialmente no Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde. O próprio Atlas da Violência alerta para a possibilidade de o número real ser superior. Isso se deve ao aumento das Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI), categoria utilizada quando a motivação básica do óbito não pode ser identificada com clareza. Estimativas sugerem que, ao considerar esses casos ocultos, o Brasil pode ter registrado 49.673 homicídios em 2024, com uma taxa de 23,4 mortes por 100 mil habitantes, indicando uma queda de apenas 0,4% em relação a 2023, diferente dos 7,4% calculados sem essa ponderação.
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