AGRO GANHA MERCADO

China reconhece Brasil livre de febre aftosa e abre mercado para carne suína

Imagem de porcos em uma propriedade rural.
Porcos em uma fazenda brasileira.

Decisão chinesa permite habilitação de mais plantas para exportação de carne suína com osso e miúdos. Estimativa da ABPA prevê acréscimo de R$ 507 milhões na balança comercial.

O agronegócio brasileiro celebra a decisão da China, comunicada na terça-feira, 2 de junho de 2026, que reconheceu todo o território brasileiro como livre de febre aftosa. A medida sanitária beneficia diretamente os exportadores de carne suína, que agora podem habilitar mais plantas para a venda de cortes com osso e miúdos externos – como pata e orelha – ao gigante asiático. Até então, apenas sete plantas em Santa Catarina possuíam autorização para esse tipo de embarque.

O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, estima que o impacto imediato dessa decisão possa gerar um acréscimo de US$ 100 milhões, o equivalente a R$ 507 milhões na cotação atual, na balança comercial brasileira. Nove plantas – oito no Rio Grande do Sul e uma em Mato Grosso – estão aptas a iniciar imediatamente a exportação desses produtos. Santin projeta um incremento de 40.000 toneladas nas vendas de carne suína para a China.

Além do ganho direto nas vendas para a China, Santin aponta que a decisão impulsionará uma reorganização em toda a cadeia de exportações. Empresas que atualmente vendem para mercados como Hong Kong e Vietnã, que remuneram menos pelo produto, poderão redirecionar mercadorias para a China, atraídas pelo melhor preço. Essa movimentação abre espaço para produtores menores em outros mercados, aumentando a competição e a demanda.

O setor suinícola também aguarda uma definição da alfândega chinesa sobre a liberação para exportação de miúdos internos, como fígado, coração e língua. Um acordo sobre os termos técnicos e sanitários foi firmado no final de maio, mas a expectativa para o acerto final ainda não foi definida.

Tarifas dos EUA impactam o setor

Em contrapartida à flexibilização comercial chinesa, o setor de proteína animal brasileiro agora avalia o impacto das tarifas anunciadas pelo governo dos Estados Unidos. Ricardo Santin indicou que o mercado de suínos sentirá um efeito limitado pelas medidas americanas, dado que as exportações brasileiras aos EUA totalizam cerca de 60.000 toneladas, frente a 1,5 milhão de toneladas exportadas globalmente em 2025.

Embora o setor de frangos não tenha forte presença nos Estados Unidos, a possível aplicação de tarifas de 25% e 12,5% pelo governo americano pode inviabilizar a exportação de tilápias brasileiras para aquele mercado.

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