BR RECORRE AOS EUA
CGU reage a cobrança dos EUA sobre corrupção e critica 'hipocrisia' em meio a tarifas
Ministro Vinicius Marques de Carvalho acusa Washington de usar combate à corrupção como ferramenta geopolítica, enquanto o Brasil reforça sua própria atuação e recupera recursos públicos.
O ministro da Controladoria Geral da União (CGU), Vinicius Marques de Carvalho, classificou como "hipocrisia" a postura dos Estados Unidos em cobrar o Brasil por medidas de combate à corrupção, enquanto o governo norte-americano reduz a prioridade na aplicação de sua própria legislação que pune empresas do país por atos ilícitos no exterior. A declaração, feita nesta quarta-feira, 03/06/2026, em publicação nas redes sociais, contesta a decisão dos EUA de propor uma tarifa de 25% sobre produtos importados do Brasil, alegando práticas comerciais desleais.
Em resposta a uma investigação conduzida pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos), que incluiu em sua apuração temas como Pix, comércio digital e combate à corrupção, Carvalho afirmou que a "melhor resposta à hipocrisia é a prática". Ele destacou que o governo brasileiro, sob a liderança do Presidente Lula, "investiga, responsabiliza, recupera recursos públicos e combate a corrupção sem abrir mão dos interesses nacionais".
O ministro apontou uma "contradição difícil de ignorar" na postura dos Estados Unidos, sugerindo que o discurso anticorrupção estaria sendo utilizado como um instrumento de pressão política e geopolítica. "Quando a corrupção envolve empresas dos Estados Unidos atuando fora das fronteiras, a cobrança perde força. Quando envolve pressionar um país soberano, o combate à corrupção vira instrumento geopolítico", ressaltou Carvalho.
Carvalho detalhou a atuação brasileira no combate à corrupção, citando a instauração de mais de 2.200 processos de responsabilização de empresas desde 2013, a aplicação de cerca de R$ 2,1 bilhões em multas e a recuperação de mais de R$ 11,3 bilhões aos cofres públicos. Ele também mencionou o fortalecimento das instituições, o aumento da transparência e a aplicação da lei, sempre "dentro da democracia, com soberania e sem transformar a pauta anticorrupção em arma contra outros países."
O ministro alinhou-se ao posicionamento do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sugerindo que a decisão norte-americana recebeu apoio de setores políticos brasileiros. Essa manifestação ocorre poucos dias após a visita do senador Flávio Bolsonaro a Washington, onde se reuniu com o então presidente Donald Trump (Partido Republicano).
Em sua íntegra, a publicação de Carvalho afirma que o rigor cobrado do Brasil não parece ser aplicado com a mesma intensidade a empresas americanas, transformando o combate à corrupção em "conveniência" e "ferramenta de pressão externa". Ele reiterou que o Brasil não está recuando, mas sim fortalecendo suas instituições e soberania no combate às irregularidades, com práticas que visam a recuperação de recursos e a prevenção de perdas, como evidenciado em operações conjuntas com a Polícia Federal e auditorias em programas sociais.
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