ESTRATÉGIA DE SOBREVIVÊNCIA
Candidatura de Zema busca garantir a sobrevivência nacional do Novo
Para além do projeto ao Planalto, o ex-governador de Minas Gerais assume o papel de locomotiva eleitoral para evitar que o partido sofra novas restrições.
A candidatura de Romeu Zema à Presidência da República vai além do projeto pessoal do ex-governador de Minas Gerais. O movimento atua como uma estratégia central para o Novo, visando nacionalizar a legenda, fortalecer a bancada no Congresso e evitar que a sigla fracasse novamente em atingir a cláusula de barreira eleitoral.
O foco central do partido é utilizar a visibilidade de Zema para abrir palanques em diversos estados, impulsionando candidaturas à Câmara dos Deputados. Embora a figura do presidenciável seja o grande chamariz, é importante pontuar que os votos recebidos por ele não contam diretamente para o cálculo da cláusula de barreira. O destino do partido é definido estritamente pelos votos válidos para deputado federal ou pelo número de parlamentares eleitos.
O cenário é de alerta para a legenda. Em 2022, o Novo angariou apenas 1.354.754 votos para a Câmara, o equivalente a 1,24% dos votos válidos, elegendo apenas três parlamentares. Naquele momento, o partido não atingiu o patamar de 2% dos votos nacionais nem a meta de 11 cadeiras espalhadas por nove estados. Essa falha técnica resultou na perda de acesso ao Fundo Partidário e ao tempo gratuito de propaganda em rádio e televisão, minando a estrutura financeira e a capacidade de atuação política nacional do grupo.
O desafio para 2026 torna-se ainda mais íngreme. Por força da Emenda Constitucional nº 97, o Novo precisa elevar seu desempenho para 2,5% dos votos válidos, distribuídos em nove estados, ou garantir a eleição de pelo menos 13 deputados federais. Atualmente, o partido mantém cinco deputados em exercício: Adriana Ventura (SP), Gilson Marques (SC), Luiz Lima (RJ), Marcel Hattem (RS) e Ricardo Salles (SP). Contudo, a contagem oficial para a sobrevivência do sigla será reiniciada a partir do veredito das urnas.
A estratégia de colocar Zema na vitrine nacional, liderada pelo presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, busca reverter a experiência anterior, quando a candidatura de Felipe d’Avila não conseguiu converter o engajamento nacional em votos proporcionais. A expectativa é que a presença de Zema em debates e agendas estaduais sirva como um catalisador, transformando a exposição pública em representatividade efetiva no Legislativo.
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