GOVERNADOR PROPÕE

Caiado propõe equiparar facções criminosas a terroristas caso seja eleito presidente

Foto de Ronaldo Caiado discursando.
Ronaldo Caiado defendeu a equiparação de facções criminosas a organizações terroristas.

A declaração ocorreu nesta sexta-feira (05/06/2026), em Águas de Lindóia (SP). A medida visa endurecer o combate ao crime organizado no Brasil e segue iniciativa semelhante dos Estados Unidos.

O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) anunciou, nesta sexta-feira, 05/06/2026, que enviará uma proposta ao Congresso Nacional para equiparar facções criminosas a organizações terroristas, caso seja eleito presidente da República. A declaração, que impacta diretamente a segurança pública e a percepção de risco à sociedade, foi feita durante a 11ª edição do Encontro Brasileiro de Autos Antigos, em Águas de Lindóia (SP).

A promessa de Caiado segue uma decisão recente do governo dos Estados Unidos, que a partir desta sexta-feira passou a classificar as facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. A iniciativa americana visa a intensificar a pressão e o isolamento dessas entidades criminosas em âmbito internacional.

"Nós sabemos muito bem que essa decisão será tomada por mim também, chegando o dia 5 de janeiro. Eu, como presidente da República, encaminharei ao Congresso Nacional a denominação de terroristas ao Comando Vermelho e também ao PCC", afirmou Caiado, destacando a percepção de que a omissão governamental atual permitiu a expansão dessas facções, afetando a liberdade de milhões de brasileiros.

Caiado lamentou o que considera uma imagem negativa para o Brasil, atribuindo a demora na declaração à falta de iniciativa do governo federal. "Ficou uma imagem muito ruim para o Brasil porque o governo não teve a iniciativa de declarar os terroristas e aí, deixando com que os americanos fizessem em primeiro lugar", comentou.

O debate sobre equiparar facções a terroristas não é novo no Congresso Nacional. Inicialmente, o deputado Guilherme Derrite (PP-SP), relator do projeto, propôs a inclusão dessa classificação na "Lei Antiterrorismo", retirando crimes graves da "Lei de Organizações Criminosas" e aplicando penas de 20 a 40 anos de reclusão. Contudo, a proposta enfrentou críticas sobre o risco à soberania nacional e foi retirada do parecer.

Tentativas de inclusão da medida no plenário da Câmara, lideradas pela oposição, foram barradas pelo presidente Hugo Motta (Republicanos-PB). No Senado, o relator Alessandro Vieira (MDB-SE) também se negou a incorporar a equiparação ao texto.

A iniciativa de classificar facções brasileiras como terroristas ganhou destaque internacional com a visita de Flávio Bolsonaro a Washington, onde pediu ao então presidente Donald Trump a adoção dessa medida. Após o anúncio dos EUA, Flávio Bolsonaro comemorou a ação, embora não tenha atuado ativamente na articulação para a inclusão no projeto de lei brasileiro. Na época, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) apresentou uma emenda similar, que foi rejeitada em votação simbólica no Senado, com apoio de parlamentares como Carlos Portinho (PL-RJ), Jorge Seif (PL-SC), Sergio Moro (PL-PR), Wellington Fagundes (PL-MT), Damares Alves (Republicanos-DF) e o próprio Girão. Flávio Bolsonaro, que estava fora do plenário na ocasião, declarou defender "tolerância zero para facções criminosas".

Durante o evento em Águas de Lindóia, Caiado também mencionou que a definição de seu candidato a vice deve ocorrer até a primeira quinzena de julho. Ele afirmou que sua pré-campanha presidencial está em expansão pelo país, com rodadas de visitas pelo Sul, interior de São Paulo e planos para o Nordeste e Centro-Oeste.

O Encontro Brasileiro de Autos Antigos, onde ocorreu o anúncio, também celebrou os 50 anos do Automóvel Concorde, modelo de luxo nacional lançado em 1976.

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