ATAQUE POLÍTICO
Caiado afirma que Flávio conspirou contra economia do Brasil por tarifaço
Ronaldo Caiado classificou como 'inaceitável' a atuação do senador Flávio Bolsonaro em relação a tarifas impostas pelos EUA ao Brasil, sugerindo que houve conspiração contra a economia nacional.
O pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), classificou nesta quarta-feira, 08/07/2026, como "inaceitável" a postura do senador e também pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil. Caiado sugeriu que a ação do senador configurou uma "conspiração contra a economia do país".
A declaração de Caiado ocorreu durante uma sabatina, quando questionado sobre o encontro de Flávio Bolsonaro com o presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca em maio. Poucos dias após a reunião, o governo norte-americano anunciou um aumento de 25% nas tarifas sobre produtos brasileiros. Ao ser indagado se o episódio poderia ser interpretado como "traição à pátria", Caiado respondeu que a legislação sobre o tema, que existe em países democráticos, se aplica a quem "conspira contra a economia do país" e lamentou a falta de aplicação de leis antidumping.
O mediador da conversa, Zeca Martins, mencionou a discussão sobre traição à pátria, após conversar com o jurista Miguel Reale Jr. Atualmente, a legislação brasileira sobre o tema é limitada. O Código Penal Militar abrange o ato no artigo 141, mas apenas em tempos de guerra, enquanto o Código Penal Civil trata de atentados à soberania nacional nos artigos 344 e 359-I. A lei define como crime "entrar em entendimento com país estrangeiro, ou organização nele existente, para gerar conflito ou divergência de caráter internacional entre o Brasil e qualquer outro país, ou para lhes perturbar as relações diplomáticas".
Antes de abordar a questão da legislação específica, Caiado criticou a atuação do Itamaraty frente à tarifa imposta pelo governo Trump, afirmando que o órgão falhou em suas atribuições e tornou-se "política de ideologia ao invés de ser política de estado".
Em declarações à imprensa momentos antes da sabatina, o pré-candidato já havia se posicionado contra a ideia de adiar as tarifas até depois das eleições. Ele considerou tal proposta um "falso positivo" para a população e enfatizou a importância de priorizar os interesses nacionais, declarando: "Não seremos tributados até a eleição? Depois aceitaremos? Não!".
No mesmo dia, Flávio Bolsonaro participou de uma audiência nos Estados Unidos, defendendo o cancelamento das tarifas contra o Brasil. A audiência faz parte da investigação instaurada com base na Seção 301 da legislação comercial americana, que analisa se políticas brasileiras prejudicam os interesses comerciais dos Estados Unidos.
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