VIOLÊNCIA CONTRA MENORES

Brasileiro é preso em Paris sob suspeita de estupro de crianças em pré-escola

Fachada de uma creche em Paris.
Creche em Paris investigada após denúncias de violência contra crianças.

Homem era professor de música e trabalhava em creches investigadas. Caso ganhou força após reportagem investigativa revelar falhas na supervisão e relatos de abuso.

Um brasileiro que lecionava música em pré-escolas foi preso em Paris, na França, na sexta-feira, 22 de maio de 2026, sob suspeita de estupro, agressão e exposição sexual de crianças. O homem, cujo nome não foi divulgado, trabalhava na instituição Saint-Dominique, uma das creches onde ocorreram as denúncias. A decisão de prendê-lo ocorreu após uma investigação mais ampla sobre violência em estabelecimentos de educação infantil na capital francesa. O caso é relevante por expor a fragilidade dos mecanismos de proteção infantil em instituições de ensino e a necessidade de rigorosa fiscalização e responsabilização de envolvidos.

A prisão do professor de música ocorreu em meio a uma operação policial que já havia detido outras 16 pessoas na quarta-feira, 20 de maio de 2026, também por suspeita de envolvimento em casos de violência física e sexual contra crianças em pré-escolas de Paris. Em nota oficial, o Ministério Público de Paris informou que tanto o brasileiro quanto outro professor detido no mesmo dia são acusados de "atos de natureza sexual" e permanecem em prisão preventiva. A decisão de mantê-los detidos visa garantir o andamento das investigações e proteger potenciais vítimas.

Creche em Paris é alvo de investigações após denúncias de violência contra crianças.

As investigações ganharam força em janeiro deste ano, após o programa "Cash Investigation", da emissora pública France 2, expor casos de violência e falhas significativas na supervisão em uma creche. Um jornalista infiltrado na instituição registrou funcionários gritando com crianças e uma monitora beijando um aluno na boca. A repercussão do programa levou à abertura de investigações judiciais e administrativas, resultando em um aumento expressivo no número de denúncias de estupro, agressão sexual e violência em pré-escolas na capital francesa.

O professor brasileiro, de acordo com a Rádio França Internacional (RFI), atuava na Saint-Dominique quando as primeiras denúncias de que ele gritava com os alunos surgiram, entre setembro e dezembro do ano passado. Naquela época, ainda não havia relatos de violência sexual, e o profissional foi transferido para outra pré-escola, a Volontaires. Pais de alunos, após assistirem à reportagem "Cash Investigation", reconheceram o brasileiro e relataram mudanças preocupantes no comportamento de seus filhos, intensificando as suspeitas de abuso.

"Percebemos que as crianças eram vítimas de violência sexual dentro da pré-escola, incluindo estupros cometidos por vários monitores, entre eles este cidadão brasileiro", relatou à RFI a mãe de uma menina de 3 anos, que pediu para não ser identificada. Ela suspeita que o brasileiro tenha agido com a ajuda de outros dois funcionários. Um outro pai, também sob condição de anonimato, descreveu que seu filho, de 4 anos, relatou ter sido forçado a "dar beijos nas partes íntimas" pelo professor. O caso chocou a comunidade, com pais registrando denúncias formais em fevereiro contra o professor e outros assistentes da instituição. A associação Pequenos Heróis de Saint-Do, que representa os pais, confirmou que a monitora citada pelo pai é a mesma que apareceu em vídeo beijando um aluno.

Em 17 de maio de 2026, a procuradora de Paris, Laure Beccuau, informou à rádio RTL que a Procuradoria da cidade investigava incidentes em cerca de 84 creches, 20 escolas primárias e 10 centros de educação infantil. Desde o início de abril, 78 funcionários de escolas foram suspensos em Paris, sendo 31 deles por suspeita de violência sexual. As investigações ainda estão em andamento, e a comunidade aguarda o desfecho para garantir a segurança e a dignidade das crianças.

O Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos do Brasil informa que, em caso de violência contra crianças e adolescentes, a vítima ou testemunhas podem acionar o Disque 100. A ligação é gratuita e o serviço funciona 24 horas por dia. Para casos de violência contra a mulher, o número é 180.

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