ALERTA FENÔMENO EXTREMO
Brasil em alerta com possibilidade de "Super El Niño", fenômeno que já causou secas e enchentes severas
Histórico do El Niño aponta para riscos de seca no Norte/Nordeste e inundações catastróficas no Sul. Especialistas alertam para a necessidade de preparação e prevenção.
O Brasil se prepara para enfrentar um El Niño de intensidade forte a partir de junho de 2026, evento que já gerou alertas de seca severa e enchentes devastadoras em anos anteriores. O Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden) estima que o fenômeno de 2026/2027 possa ser o mais expressivo da história moderna, recebendo o apelido popular de “Super El Niño”.
Entre 1900 e 2024, o país vivenciou cerca de 30 episódios de El Niño. Análises do MetSul apontam os períodos de 1992/93, 1994/95, 1997/98, 2015/16 e 2023/24 como os mais marcantes em termos de eventos extremos. O El Niño é um fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico, que altera a circulação atmosférica global e, consequentemente, o clima em diversas regiões.
Os impactos globais incluem um clima mais seco no sudeste da Ásia, Austrália, sul da África, e nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. Em contrapartida, o Sul do país pode registrar excesso de chuvas.
El Niño 2015/2016: Seca histórica na Amazônia e chuvas no Sul
O episódio de 2015/2016 foi particularmente severo, registrando recordes de temperatura e a mais grave seca da história da Amazônia. A redução drástica do nível dos rios isolou comunidades, dificultou o abastecimento e o transporte hidroviário, além de causar a morte de milhares de peixes. Queimadas se agravaram devido à vegetação seca, intensificando os impactos ambientais. No Sul, o evento provocou um recorde histórico na cota de inundação do Rio Guaíba, no Rio Grande do Sul.
El Niño 2023/2024: Catástrofe no Sul e impactos no Norte
O El Niño de 2023/2024 foi considerado o mais crítico em termos de impactos práticos e abalo à infraestrutura. No Rio Grande do Sul, chuvas consecutivas e frentes frias estacionadas levaram a um dos maiores desastres climáticos do país, afetando 478 municípios e resultando em 184 mortos. A saturação do solo causou deslizamentos e erosão de rodovias. Paralelamente, o Norte/Nordeste enfrentou uma crise humanitária, com níveis históricos baixos nos rios Negro e Madeira, e o Centro-Oeste e Sudeste registraram ondas de calor extremas. O Distrito Federal, por exemplo, passou 167 dias sem precipitações significativas entre abril e outubro de 2024.
Especialistas avaliam a intensidade e os impactos
Estael Sias, mestre em Meteorologia pela Universidade São Paulo (USP), descreve o período de 2015/2016 como o mais intenso em nível de aquecimento global, com as águas do Pacífico equatorial chegando a 2,6 °C acima da média. Contudo, ele ressalta que o evento de 2023/2024 foi o mais crítico devido à extensão e severidade dos impactos em todo o território nacional. A especialista Janeth Fernandes, engenheira ambiental e presidente da Associação dos Engenheiros Ambientais do Amazonas, destaca a resiliência necessária para enfrentar essas crises, enfatizando a importância do fortalecimento da governança e da consolidação de uma cultura de prevenção em todos os níveis.
O engenheiro ambiental Júlio César, da UERJ, reforça que o mapeamento de pontos críticos é fundamental para a prevenção e que a articulação do planejamento entre os governos é essencial para mitigar os efeitos devastadores desses fenômenos climáticos.
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