DISPUTA NO LEGISLATIVO

Big techs pressionam Congresso Nacional para travar regulação de mercados digitais

Fachada do Congresso Nacional, Brasília.
Congresso Nacional enfrenta pressão de grandes empresas de tecnologia sobre regulação de mercados.

Empresas buscam adiar votação de projeto que amplia fiscalização do Cade sobre plataformas dominantes antes do recesso parlamentar.

Grandes companhias de tecnologia intensificaram a articulação junto ao Congresso Nacional para barrar a votação do projeto de lei que estabelece um marco regulatório para mercados digitais no Brasil. O movimento, que ganhou força em 10 de julho de 2026, visa impedir a análise do texto relatado pelo deputado Aliel Machado (PV-PR), que confere ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) poderes inéditos para monitorar plataformas com posição dominante.

A ofensiva das gigantes ocorre em um momento decisivo, às vésperas do recesso parlamentar, e busca desvincular a proposta de pautas polêmicas. Embora o projeto foque estritamente em concorrência econômica, o setor tem associado a medida ao antigo PL das Fake News. O texto em discussão, contudo, não aborda moderação de conteúdo, mas foca em prevenir práticas anticoncorrenciais.

Elaborado pelo Ministério da Fazenda como prioridade do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o PL 4.675/2025 propõe a Superintendência Especial de Relevância Sistêmica, Livre Concorrência e Defesa do Consumidor em Mercados Digitais. A autarquia teria autoridade para aplicar exigências de interoperabilidade e maior transparência nos algoritmos de empresas que dominam o setor, seguindo padrões adotados pela União Europeia.

Entidades como a Associação Latino-Americana de Internet (Alai) e o Conselho Digital — que representa nomes como Google, Meta, Amazon, OpenAI e TikTok — enviaram notas técnicas a parlamentares alegando que a proposta sufocaria a inovação. Google, Meta e OpenAI declinaram comentários, enquanto TikTok e Amazon não responderam.

Apesar da resistência, Aliel Machado sustenta que a regulação é técnica e necessária. Em entrevista à Folha de S.Paulo, o relator criticou a tentativa de politizar o debate, reforçando que o foco do projeto é exclusivamente a designação de empresas com poder sistêmico para garantir o equilíbrio do mercado.

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