ARTESANATO COM CONCHAS

Artesã Miriam Ferreira transforma conchas de ostras em arte, gerando nova renda no RN

Artesã exibindo peças feitas com conchas de ostras.
Artesã Miriam Ferreira transforma conchas de ostras em arte e cria nova fonte de renda no RN.

Miriam Ferreira cria peças únicas a partir de resíduos de ostras, agregando valor à cadeia produtiva do Rio Grande do Norte. O ofício nasceu na pandemia e se consolidou com sustentabilidade e criatividade.

A artesã Miriam Ferreira encontrou na criatividade e na sustentabilidade uma forma de gerar renda e dar um novo destino às conchas de ostras no Rio Grande do Norte. O que antes seria descartado, agora se transforma em arte, agregando valor à cadeia produtiva do Estado, que já é referência nacional na produção de ostras nativas. A iniciativa ganhou força durante a pandemia, quando o ofício se tornou uma oportunidade de expressão e sustento.

A decisão de transformar as conchas em matéria-prima partiu de Miriam, inspirada pela observação de um descarte em uma feira na cidade de Georgino Avelino. Ao presenciar a destinação das cascas para o lixo, ela vislumbrou a possibilidade de reaproveitamento. "Perguntei se podia levar porque queria tentar fazer uma gruta de ostra", relembra, marcando o início de uma jornada de inovação.

Artesã Miriam Ferreira utiliza conchas de ostras em suas criações artísticas. MODELO FOTO PORTAL

O processo criativo de Miriam vai além da estética. Após a coleta das conchas descartadas em Georgino Avelino e na comunidade de Barreta, em Nísia Floresta, inicia-se uma cuidadosa etapa de limpeza que envolve imersão em água sanitária, lavagem, escovação e secagem ao sol. Essa dedicação garante a qualidade e a durabilidade das peças. A estrutura das obras, que podem parecer robustas, é construída com materiais simples e recicláveis, como papelão, unidos por cola quente.

Além das ostras, a artesã incorpora em suas criações outros materiais sustentáveis, como conchas diversas, pedras, garrafas PET e retalhos de jeans. Para Miriam, o trabalho com reciclagem possui um impacto direto na preservação ambiental. "Quem trabalha com reciclado está salvando um pouco o meio ambiente", afirma, ressaltando a importância social e ecológica de seu ofício.

Apesar do potencial artístico e sustentável, Miriam aponta a falta de incentivo como um obstáculo significativo para os artesãos no Rio Grande do Norte. "Viver 100% do artesanato é muito apertado. Pelo menos aqui no Rio Grande do Norte, a gente não sente que o artesanato recebe muito valor", lamenta. Para ampliar a visibilidade e a participação de outros artesãos em feiras e eventos, Miriam cofundou o grupo Mulheres Raízes, uma iniciativa que busca fortalecer a classe e democratizar o acesso a espaços de comercialização.

Embora o artesanato com conchas ainda não seja a principal fonte de renda de Miriam, as peças produzidas por encomenda e vendidas em feiras, como as realizadas em Natal, e pelas redes sociais, através do perfil @santacruta, demonstram o valor de sua arte e o potencial de geração de renda dentro da economia ligada às ostras no Estado. O trabalho de Miriam Ferreira evidencia como a criatividade e a consciência ambiental podem convergir para criar oportunidades e valorizar os recursos locais.

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