ARTICULAÇÃO E CONFLITOS

André Fernandes defende pré-candidatura de Alcides Fernandes ao Senado

Alcides Fernandes, André Fernandes e Flávio Bolsonaro durante evento oficial do PL em Fortaleza.
Alcides Fernandes recebe apoio do filho André Fernandes ao lado de Flávio Bolsonaro — Foto: Reprodução

Deputado estadual blinda nome do pai após atritos internos no PL e críticas de opositores durante evento oficial em Fortaleza.

O deputado federal André Fernandes oficializou a pré-candidatura de seu pai, Alcides Fernandes, ao Senado Federal pelo Partido Liberal (PL), reafirmando o compromisso da legenda com as diretrizes do ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão foi consolidada na sexta-feira, 10 de julho de 2026, durante um evento em Fortaleza que contou com a presença do pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro.

O movimento ocorre em um momento de acentuada tensão interna no PL. A indicação de Alcides Fernandes gerou resistências por parte da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e da deputada federal Priscila Costa, que defendia outro nome para a vaga. André Fernandes, ao discursar para a base de apoiadores, respondeu às críticas sobre a legitimidade da candidatura com um tom contundente, destacando que a escolha do pai atende a uma orientação direta do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O cenário político no Ceará está sob forte pressão. O senador Cid Gomes (PSB) questionou a projeção de Alcides Fernandes, enquanto o PL enfrenta divisões sobre a aliança com Ciro Gomes (PSDB). Durante o evento, manifestantes chegaram a protestar contra a aproximação com o grupo de Ciro, empunhando placas com dizeres contra a esquerda. O deputado André Fernandes minimizou os episódios de tumulto, classificando-os como tentativas de desestabilização por opositores.

Além da disputa eleitoral, a segurança pública pautou o discurso dos parlamentares. Alcides Fernandes descreveu a situação do estado como um 'narcoestado', fazendo coro à decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-CE) de solicitar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o reforço das Forças Nacionais em 66 municípios. Flávio Bolsonaro reiterou, na ocasião, sua defesa para que facções criminosas sejam classificadas juridicamente como organizações terroristas, reforçando o alinhamento da sigla com pautas de segurança rigorosa.

O episódio evidencia o desgaste entre lideranças do PL. A crise com Michelle Bolsonaro, que cogita retirar sua participação nas decisões do partido, agravou-se após relatos de desentendimentos telefônicos entre ela e Flávio Bolsonaro sobre a condução das alianças regionais. A oficialização de Alcides Fernandes coloca o partido diante de um desafio complexo: conciliar as diretrizes nacionais do grupo com a resistência local de aliados históricos.

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