CRITÉRIO QUESTIONADO

Ancelotti defende escolha de Bruno Guimarães para pênalti na Copa do Mundo de 2026

Carlo Ancelotti, técnico da seleção brasileira, em coletiva.
Carlo Ancelotti, técnico da seleção brasileira, em coletiva.

Técnico Carlo Ancelotti justificou a escalação de Bruno Guimarães como cobrador de pênalti desperdiçado pelo Brasil contra a Noruega, na Copa do Mundo de 2026, com base em estatísticas de desempenho. Números, no entanto, apontam cenários diferentes para outros jogadores da seleção.

A decisão de Carlo Ancelotti de manter Bruno Guimarães como cobrador do pênalti desperdiçado pelo Brasil na derrota para a Noruega, pela Copa do Mundo de 2026, gerou um intenso debate sobre os critérios adotados pela comissão técnica da seleção. Após a partida, o treinador italiano justificou a escolha, afirmando que a definição da ordem dos cobradores foi baseada em estatísticas de desempenho dos últimos 12 meses, elaboradas antes do confronto.

"Nós fizemos uma estatística de um ano e escolhemos Bruno Guimarães porque pensamos que era o melhor no campo", declarou Ancelotti. De acordo com o treinador, a lista preparada pela comissão técnica apontava Neymar, Igor Thiago, Raphinha, Bruno Guimarães e Gabriel Martinelli como os cinco primeiros na hierarquia de cobradores. Como os três primeiros não estavam em campo no momento da penalidade, a responsabilidade recaiu sobre o meio-campista do Newcastle.

Carlo Ancelotti, técnico da seleção brasileira, explica escolha por Bruno Guimarães.
Carlo Ancelotti, técnico da seleção brasileira, explica escolha por Bruno Guimarães.

Os números, porém, revelam um panorama mais equilibrado. No período avaliado por Ancelotti, Bruno Guimarães executou apenas três cobranças oficiais, convertendo duas e errando uma, o que totaliza um aproveitamento de 66,7%. Em contraste, Vinícius Júnior, que não figurava entre os cinco primeiros cobradores e era a sexta opção, demonstrou maior eficiência. Ele converteu cinco de sete pênaltis cobrados pelo Real Madrid, alcançando 71,4% de acerto.

Os dois pênaltis perdidos por Vini ocorreram contra o Valencia, no Campeonato Espanhol, e diante do Manchester City, na Liga dos Campeões, ambos defendidos pelos goleiros. Contudo, no mesmo intervalo, o atacante balançou as redes de pênalti contra Villarreal, Real Sociedad (em duas ocasiões), Manchester City e Atlético de Madrid. Kylian Mbappé, por outro lado, foi o principal cobrador do Real Madrid em outras partidas, com 11 pênaltis convertidos em 10 tentativas.

Gabriel Martinelli, outro nome posicionado à frente de Vinícius Júnior na lista da comissão técnica, apresentou uma amostra ainda menor de cobranças. O atacante do Arsenal cobrou apenas um pênalti na última temporada, convertido na disputa contra o Paris Saint-Germain, na final da Liga dos Campeões. Apesar de um aproveitamento de 100%, o volume reduzido de tentativas limita comparações estatísticas diretas com outros atletas.

A escolha por Bruno Guimarães ganhou ainda mais notoriedade devido ao contexto da partida. O pênalti foi assinalado aos 13 minutos do primeiro tempo, com o placar em 0 a 0 entre Brasil e Noruega. A defesa da cobrança impediu que a seleção abrisse vantagem em um confronto que, infelizmente, culminaria na eliminação brasileira do Mundial, intensificando as indagações sobre os critérios técnicos para uma das decisões mais cruciais do jogo.

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