DECISÃO DE VICE

Allyson Bezerra acusa rivais de inveja e preconceito pela sua origem popular

Allyson Bezerra, pré-candidato ao Governo do RN, em entrevista.
Allyson Bezerra, pré-candidato ao Governo do RN, em entrevista.

Pré-candidato ao Governo do RN, Allyson Bezerra (União) rebate investigações da PF e critica oposição por não aceitar a ascensão de "filho do pobre" na política.

O pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte, Allyson Bezerra (União), expressou nesta segunda-feira, 08/06/2026, que setores com "muito poder" e "muita estrutura" rejeitam sua ascensão política por sua origem humilde. Em entrevista ao Sistema Rural de Comunicação, em Caicó, o ex-prefeito de Mossoró afirmou estar tranquilo em relação à investigação da Polícia Federal sobre contratos na área da saúde de Mossoró e acusou adversários de tentarem descredibilizá-lo antes da disputa estadual.

"Certamente, aqueles que têm muito poder, que têm muita estrutura, olham para mim hoje e não conseguem entender porque eles queriam que os filhos deles estivessem ocupando a cadeira que eu ocupei e a posição que eu estou ocupando hoje", declarou Allyson, enfatizando a exclusão social presente no meio político.

A declaração surgiu após questionamentos sobre a operação da Polícia Federal que apura contratos firmados durante sua gestão em Mossoró. Allyson rebateu as insinuações, assegurando que apresentou todas as explicações e evidências de uma gestão transparente, especialmente no que tange à aquisição de medicamentos e outros serviços essenciais.

Ele defendeu a necessidade de fiscalização e prestação de contas por parte de todos os gestores públicos, ressaltando que sua administração em Mossoró adotou sistemas auditáveis, abertos a qualquer órgão de controle. "Todo político, todo gestor, tem que ser sim investigado, tem que prestar contas, tem que entregar relatório, tem que estar pronto, preparado para poder falar e se posicionar junto aos órgãos de controle, junto à Justiça, sempre", pontuou.

O pré-candidato manifestou "total tranquilidade" quanto ao processo judicial e atribuiu as tentativas de desgaste à disputa política. Segundo Bezerra, a oposição busca criar narrativas para distorcer fatos, ciente da importância da aceitação popular para o pleito eleitoral. Ele criticou propostas adversárias, como a venda da Uern, o fechamento de hospitais e a privatização do Estado, as quais, em sua visão, carecem de apoio popular.

Allyson também teceu críticas a propostas que, em seu entendimento, aumentariam a idade de aposentadoria ou imporiam modelos de trabalho mais severos. Em contrapartida, defendeu pautas como a escala de trabalho 5x2, a universidade pública, o desenvolvimento da zona rural e do interior do Estado, além de políticas voltadas às pessoas mais simples.

Ele atribui o incômodo de grupos tradicionais à sua trajetória de vida, destacando que não provém de família abastada. "Há uma raiva, há um preconceito, há um sentimento de maldade, de inveja nessas pessoas porque eles não suportam que o filho do pobre possa vencer na vida", desabafou. E acrescentou: "Eles não suportam que o filho do pobre possa ocupar espaços de poder na sociedade. Eles não suportam ver o filho de pobre tendo mais aceitação do que os filhos deles, que sempre tiveram berço de ouro para vencer na vida."

Esta linha de comunicação, que exalta sua origem popular, tem sido uma marca na pré-campanha de Allyson Bezerra. Ele se apresenta como o único pré-candidato ao Governo do RN com vivência da pobreza e necessidade de serviços públicos básicos, como atendimento em Unidades Básicas de Saúde e dificuldades na zona rural.

Relatou episódios da infância no sítio Chafariz, zona rural de Mossoró, incluindo moradia em casa de taipa com chão de barro, trabalho com o pai na enxada e transporte de água em galão. Sua primeira sala de aula, segundo ele, funcionava em uma construção similar. "Eu morei numa casa de taipa. Um terço da minha vida, mas. Eu morei numa casa de taipa. E boa parte dessa casa de taipa não tinha cimento. O chão era de barro mesmo", contou.

Allyson também abordou a polêmica em torno do uso do chapéu de couro, que se tornou um símbolo de sua origem e projeto político. O primeiro acessório utilizado em campanha, em 2018, foi adquirido em Caicó. Ele argumenta que críticas ao chapéu refletem preconceito contra a cultura nordestina e a identidade do homem do campo e do sertanejo.

Ele citou que, em suas agendas pelo interior, o apoio ao uso do chapéu é a reação mais frequente, destacando uma recepção em Tangará, onde foi acolhido pelo prefeito Augusto e por moradores com a mesma peça de vestuário. "Em todo canto que eu estou passando, a mensagem que mais eu escuto é não tire o chapéu de couro", disse.

Sua ligação com o Seridó é reforçada pela origem de seus avós em Barra de Santana, Jucurutu, e pela homenagem à bisavó Angelina Henrique Bezerra. Allyson afirma carregar "sangue seridoense" e ter em Caicó uma presença marcante em sua trajetória desde 2018.

Como credencial administrativa, Allyson Bezerra apresentou a gestão em Mossoró, onde foi reeleito com mais de 78% dos votos e mais de 113 mil eleitores. Esse desempenho, segundo ele, demonstrou a projeção de seu projeto político para além dos limites municipais. Citou a construção de quatro pontes, incluindo uma de 144 metros sobre o rio que cruza o Oeste, como exemplos de realizações que atraíram a atenção de outras regiões do RN.

O pré-candidato defende a recuperação da credibilidade e da capacidade de entrega do Governo do Estado. Ele apontou a falta de credibilidade na gestão pública como o principal problema do RN, e defendeu a retomada de grandes obras, como estradas, pontes e barragens.

Na área da saúde, Allyson prometeu prioridade e destacou a experiência pessoal com o serviço público. Mencionou a inauguração de um hospital municipal em Mossoró, que iniciou cirurgias na manhã seguinte à sua entrega, atendendo pacientes que aguardavam procedimentos há mais de um ano. A interiorização do turismo, da indústria e do desenvolvimento econômico também foram temas abordados, com menção ao potencial do Castelo de Engady em Caicó e aos desafios energéticos para empreendedores do Seridó.

Se eleito, Allyson Bezerra pretende um governo "mais nas ruas e menos dentro de gabinetes", com soluções originadas nos locais de ocorrência dos problemas. "Quer trabalhar comigo? Sabe que você vai trabalhar menos no gabinete e mais na rua", afirmou. Seu compromisso declarado é com a população mais simples. "O meu compromisso não é com esse grupo. O meu compromisso não é com esse tipo de gente. O meu compromisso é com as pessoas mais simples. Por isso que o meu governo sempre foi popular. É por isso que o meu governo no Rio Grande do Norte será popular", concluiu, complementando: "Eu aprendi dessa vida que, para os ricos, já tem muita gente trabalhando. Eu quero trabalhar para as pessoas que mais precisam."

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