SEGURANÇA E VIRTUALIDADE

Adolescentes atuam como mentores de automutilação em investigação do Noad

Ilustração temática sobre segurança digital e crimes contra menores.
Investigação aponta perfis de risco em comunidades virtuais.

O Núcleo de Observação e Análise Digital da Polícia Civil de São Paulo mapeou uma rede onde jovens de até 20 anos aliciam crianças para crimes online.

O Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), da Polícia Civil de São Paulo, identificou uma rede complexa onde adolescentes, alguns com apenas 12 anos, atuam como mentores de crimes digitais. A investigação, que revelou a presença de brasileiros na França envolvidos em comunidades de incentivo à automutilação, suicídio e ataques a escolas, foi detalhada nesta sábado, 11/07/2026, para evidenciar o risco real enfrentado por menores no ambiente virtual.

A coordenadora do Noad, delegada Lisandréa Salvariego Colabuono, aponta que cerca de 90% dos investigados pelo núcleo são adolescentes. O fenômeno ocorre por meio de uma estratégia de aliciamento que se disfarça de acolhimento. "Eles encontram pertencimento online. São acolhidos e recebem um discurso de validação, mas esse reconhecimento acontece pela prática de crimes", explica a delegada.

As principais vítimas são meninas, com idades entre 6 e 14 anos. O contato, geralmente iniciado em jogos online, evolui para aplicativos de mensagens onde a confiança da vítima é manipulada. Sob o pretexto de construir amizades, os criminosos passam a exigir a produção de conteúdos íntimos, criando um ciclo de abuso que exige intervenção imediata das autoridades.

Quando o Noad identifica um crime em curso, como transmissões ao vivo, a prioridade absoluta é a proteção da integridade física da criança. A equipe mantém um protocolo de resposta rápida, contatando as famílias e orientando pais a interromperem o acesso das vítimas aos dispositivos enquanto viaturas e equipes de resgate são deslocadas. Após o resgate, o suporte é mantido através de uma parceria entre a Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MPSP), garantindo que as famílias recebam acompanhamento psicológico.

Para quem enfrenta crises emocionais ou depressão, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito e sigiloso 24 horas por dia, via telefone, e-mail, chat e Skype.

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