MEMÓRIA E SEGURANÇA
A origem do espelho d'água: como um atentado ao Planalto mudou a segurança
Após um ônibus invadir a sede do Executivo em 1989, o governo buscou reforçar a proteção do prédio com a obra emblemática entregue em 1991.
A construção do icônico espelho d'água que contorna o Palácio do Planalto foi uma decisão tomada para reforçar a segurança física da sede do Poder Executivo, como resposta direta a uma tentativa de atentado contra o então presidente José Sarney. A medida visava proteger a integridade do edifício e das autoridades, garantindo uma barreira física que impedisse acessos diretos por veículos.
O episódio que motivou a mudança ocorreu na terça-feira, 30 de maio de 1989. Naquela data, João Antônio Gomes, de 36 anos, roubou um ônibus da empresa Planeta na Rodoviária do Plano Piloto e conduziu o veículo contra a estrutura do Palácio. A ação causou danos à entrada e ao teto do prédio, gerando uma crise de segurança que mobilizou a Polícia Federal e a Secretaria de Segurança do DF.
Em depoimento prestado à Polícia Federal, o homem afirmou que sua motivação era a insatisfação com o governo. O caso gerou grande repercussão, levando o então chefe da Casa Civil, Ronaldo Costa Couto, a classificar a ação como uma busca por notoriedade ou um ato deliberado de violência. Após o incidente, o invasor foi encaminhado ao Núcleo de Custódia da Papuda.
O impacto do atentado forçou o governo a repensar a proteção da Praça dos Três Poderes. Entre as alternativas avaliadas junto ao arquiteto Oscar Niemeyer, a instalação do espelho d'água foi a solução adotada, sendo finalmente entregue em 1991. A estrutura atua, desde então, como um limite físico que preserva a dignidade do patrimônio público e garante a segurança necessária para o funcionamento da instituição presidencial.
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