TECNOLOGIA SOB SUSPEITA

A expansão da IA e sensores no VAR acirra polêmicas na Copa

Folarin Balogun recebe cartão vermelho aplicado pelo árbitro Raphael Claus em partida da Copa.
Folarin Balogun, dos EUA, recebe cartão vermelho do árbitro Raphael Claus.

O aumento das intervenções do VAR, impulsionado pela Fifa e o IFAB, gera críticas sobre a precisão técnica versus a essência do futebol.

A ampliação do uso de sensores e Inteligência Artificial na arbitragem, implementada pela Fifa para esta edição da Copa do Mundo, tem gerado um cenário de intensa controvérsia entre seleções, torcedores e especialistas. A decisão de expandir o papel da tecnologia, que ocorreu em parceria com o International Football Association Board (IFAB), foi motivada pelo desejo de aumentar a precisão técnica, porém levanta debates profundos sobre o impacto dessa intervenção na justiça esportiva, conforme observado nesta sexta-feira, 10/07/2026.

As críticas, que incluem acusações de falta de critério uniforme e excesso de interferência, ganharam força após episódios marcantes. Hossam Hassan, técnico do Egito, manifestou indignação após uma derrota por 3 a 2 para a Argentina, onde um gol foi anulado por uma falta distante e um pênalti foi ignorado. Para o treinador, a sensação de injustiça é latente e afeta a dignidade do espetáculo esportivo.

Em defesa do modelo, o chefe de arbitragem da Fifa, Pierluigi Collina, reiterou que não existem limites de distância ou tempo para a atuação do VAR. "Acreditamos que uma falta é uma falta. Independentemente de a falta parecer óbvia, se o árbitro não a viu em campo, o VAR pode intervir", sustentou. A decisão sobre tais intervenções é definitiva durante a partida, cabendo às federações apenas o envio de ofícios formais para esclarecimentos posteriores.

O rigor tecnológico atingiu um ponto crítico no confronto entre Croácia e Portugal. Um gol de Josko Gvardiol, marcado nos acréscimos, foi invalidado por um toque sutil de Igor Matanovic, detectado apenas por sensores no equipamento, que possivelmente tocou no cabelo do atleta. Luka Modric criticou a aplicação do sistema, classificando a interferência como um abuso da tecnologia em situações de interpretação duvidosa.

Analistas, como Brennan Klein, da Universidade Northeastern, alertam para o distanciamento entre a tecnologia e o sentimento dos fãs. Enquanto a Fifa projeta uma arbitragem cada vez mais automatizada, as arquibancadas respondem com vaias, sinalizando que a busca pela perfeição técnica pode estar custando a fluidez e a essência emocional que definem o futebol mundial.

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